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blog universitário sobre o audiovisual

Diretor do Mês | Crítica: Santo Forte (1999) – Eduardo Coutinho

por Maurício Owada

O Brasil passa por um dos momentos mais tensos em diversas questões sociais atualmente e com a ascenção e estabelecimento da bancada evangélica no Plenário, o discurso de ódio contra outras religiões, principalmente as afro-brasileiras se tornou alvo de pedras e gritos irracionais carregados de discursos odiosos vindos dos microfones de pastores, de vozes exaltadas e palavras que possuem tom intimidador ao tal “coisa ruim”, um show de horror que promete não só uma vida livre de maldições, mas com recompensas materiais, contanto que dê um aluguel da casa para a igreja todo mês (e essa falácia não é nenhum absurdo inexistente e infundado, procurem no YouTube). O documentário, gravado num morro carioca, não foi feito no período mais tenso para pessoas de religiões diferentes, mas assim como O Pagador de Promessas, Santo Forte retrata um Brasil misto, exús e santos se misturam, a tradição africana se funde com a fé cristã, a busca por respostas simples vindas do outro lado, depoimentos de pessoas de crenças variadas e histórias de vida que transcendem a fé e na qual buscam força para a pobreza e as dificuldades.

Os depoimentos que constróem o mosaico cultural brasileiro demonstra uma sociedade imposta pela crença cristã, que só se agarra nela de forma inconsciente pelo medo de não poder entrar no reino dos céus, mas ainda assim, não deixam se desgarrar de suas raízes. Cada depoimento trás um olhar multidimensional sobre o ato de crer e a força da fé: relatos de pessoas que viram ou receberam espírito de familiares, exús e pombagiras que se manifestam e até, uma delas que é ateia. Todo filmado numa comunidade carente no Rio de Janeiro, o documentário trás a situação socio-econômica para o contexto da fé como forma de sobreviver diante das dificuldades, não apenas temor e louvor por uma força maior, mas na esperança de coisas melhores. Apenas com depoimentos, a obra conduz o espectador a ver a religião de modos diferentes, introduzindo a visita de João Paulo II ao Brasil para mostrar o nível da força religiosa no nosso país, assim como o simbolismo da vinda do pontíficie.

Santo Forte é simples e poderoso em seus entrevistados e na fluência com que cada um conta suas histórias, aborda temas de modo complexo e abrem espaço para diversas vozes ecoarem em uma variedade imensa de religiões e crenças. E um assunto tão delicado, Eduardo Coutinho é bem sucedido em não assumir uma postura (ele odiava o tal cinema militante), já que quem constrói a obra são as pessoas comuns que o cineasta se dispõe a conversar, aonde a voz do documentarista aparece apenas para aprofundar nos detalhes e sentimentos dos relatos e sua imagem aparece raramente ou fica no canto da tela, que corta seu rosto totalmente virado, com seus cabelos grisalhos e óculos de armação preta em destaque, se colocando diante daquelas pessoas na mesma posição que nós: a de mero espectador.

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Diretor do Mês | Crítica: O Fio da Memória (1991) – Eduardo Coutinho

por Maurício Owada

A história do Brasil foi recheada de diversos protagonistas de diversas origens, sejam os indígenas nativos, os exploradores portugueses ou, os escravos africanos – estes últimos, caçados e tirados de sua terra natal, levados em condições horríveis por navios negreiros, escravizados e comercializados pelos senhores de terra e comerciantes. As eras se passaram, a abolição da escravatura foi aprovada, o Império ruiu e a República surgiu com promessas de democracia e progresso, mas ainda conservava as velhas estruturas de poder, como o coronelismo, mesmo com a Revolução de 30 que ascendeu Getúlio à presidência e trouxe leis trabalhistas mais amplas.

No outro lado, Gabriel Joaquim dos Santos, filho de ex-escravos, um homem que nunca saiu do campo cuja memória é revisitada por seu diário, onde suas singelas e simples palavras esbanjavam humildade e sabedoria, entonada na voz vigorosa, mas calma de Milton Gonçalves. A trajetória de um homem que possuia um talento artístico, “a força da pobreza” como ele dizia, que o fez construir a Casa da Flor, uma obra de arquitetura espontânea feita a partir de azulejos, cacos de vidros e outros materiais jogados no lixo, compondo uma casa rica em imagens e formas. O documentário explora a persona do senhor negro que era um artista nato, sem formação e sem instrução, aonde cada trecho remete ao um tópico relacionado a situação atual da população afro-brasileira.

Eduardo Coutinho explora poeticamente Gabriel Joaquim, enquanto aproveita de seu passado como repórter para dar voz a diversas pessoas de cor escura, seja sambistas, mães de santo, meninos de rua… como sempre ficou estabelecido em suas obras, a voz do semelhante era muito mais importante do que o diretor queria dizer. A quantidade de informações sobre candomblé, samba, rap e hip-hop, racismo,política, educação, violência e crime, elementos culturais e sociais semprepresentes na vida dos negros, aonde reivindicações gritam pela legitimação de seu papel na sociedade, que ainda gritam de orgulho pela cor de pele que tem, que gritam para que os direitos “conquistados” sejam colocados em prática, que gritam para que a cor não seja sinal de desconfiança. Que gritam para serem respeitados.

Dividido em duas partes de uma hora cada, o documentário é realmente dividido pelo tom contemplativo sobre Gabriel e o jornalístico, que fica a mercê de opiniões, relatos e situações, como o episódio aonde um homem branco grita: “uma pessoa que tem 51% das ações numa empresa é o presidente, e os negros são mais de 50% da população”, enquanto uma senhora negra protesta contra a sexualização da imagem da mulher negra, aonde protesto e discurso sobre meritocracia guerreiam aos berros no meio da rua, para que sejam compreendidos. Algo que não mudou muito, desde lá.

O Fio da Memória, como seu título sugere, busca entremear nas raízes da cultura afrobrasileira, as origens e a verdadeira história de um povo que é sub-representado na civilização nos últimos anos, sendo ignorado pelos livros didáticos. O Fio da Memória é um documentário de importante valor histórico, que assim como Cabra Marcado Para Morrer, busca deixar vivo na memória, o trajeto de um povo que foi feito num país, que ainda herda traços da colonização portuguesa.

Diretor do Mês | Crítica: Cabra Marcado para Morrer (1984) – Eduardo Coutinho

por Liana Nespoli

João Pedro Teixeira, líder das ligas paraíbanas, foi assassinado em 1962. Quem mais, além de Eduardo Coutinho, executaria um filme semi documental sobre a vida de João Pedro, mesmo depois das filmagens serem interrompidas brutalmente em 1964 após o golpe militar? Acusados de comunismo, muito membros da equipe foram presos na época, porém Coutinho nunca se deixou abater e 17 anos depois o trabalho foi retomado. A história de João Pedro não poderia ser deixada em branco. Após reencontrar os negativos do filme, voltou ao nordeste à procura de novos atores e não encontrou ninguém mais, ninguém menos que a viúva Elizabeth Teixeira, assim como outros participantes do movimento e membros de sua família.

Antes em 35 mm, preto e branco e sem gravação simultânea de som, foi retomado como documentário em 16 mm e colorido, onde os personagens, ao observar essas antigas imagens, descorrem sobre suas memórias e suas trajetórias de vida depois do golpe de abril de 64.

Um documentário que consegue, através da história de alguns camponeses, criticar a ditadura, a mídia e o conservadorismo da população brasileira. Um documentário que faz o excelente e difícil exercício de conciliar trajetórias individuais a esse contexto político do país (contexto dos mais duros, violentos e omitidos) de modo que não só nos apresenta a essa mulher e sua família, mas como também a essa ditadura que também torturou, repreendeu e caçou outros camponeses, pessoas que lutaram pelo seu povo, estudantes, pessoas pobres e que estavam fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo.

As perguntas que esse contexto nos desperta, nos emocionam quando encontramos suas reais respostas. O que aconteceram com essas pessoas durante esse período e o que foi necessário pra conseguir sobreviver?

Cabra Marcado para Morrer não é um filme apenas sobre o golpe militar; é sobre as pessoas que viveram na amargura desse período e também sobre a reforma agrária. Independente das vertentes políticas ou ideológicas, a injustiça social deve ser combatida em nome da humanidade, e figuras como a dona Elizabeth nos inspiram e mostram que é sim possível. Vemos também como uma obra-prima, antes inacabada, encontra enfim, seu merecido final mesmo depois de tantos anos.

Crítica | O Lobo Atrás da Porta (2013)

por Lucas Bergamini

O filme O Lobo Atrás da Porta (2013) dirigido por Fernando Coimbra mostra um pouco do rumo que o cinema brasileiro tem tomado. Ele vem da época em que mais se produziu longas-metragens brasileiros desde a retomada, o ano de 2013. Trabalha com um gênero que é mais visto no cinema americano, o suspense, e se destaca por um roteiro que prende a atenção do espectador do começo ao fim.

O suspense já aparece rapidamente logo no começo do filme. Uma mãe vai buscar a filha na creche e descobre que ela foi levada por outra mulher estranha. Começa então uma série de relatos e depoimentos dos principais suspeitos e envolvidos, para saber onde a criança está e quem a levou. Bernardo (Milhem Cortaz), o pai da menina, é casado com Sylvia (Fabiula Nascimento) mas teve um envolvimento com Rosa (Leandra Leal), uma garota bonita e inocente que ele conheceu na estação de trem. Rosa também é suspeita. Os depoimentos se contradizem, já que cada um deles traz um ponto de vista. O filme tem grandes atuações, com destaque para Leandra Leal que cria uma personagem estranha e ao mesmo tempo verossímil.

Rosa é mostrada muito de costas, com enquadramentos que destacam a nunca, seu cabelo curto e seus brincos. Ela tem uma doçura tão grande que no começo do filme o espectador não acredita que uma garota como ela poderia ser suspeita de qualquer crime. Ela se comporta como uma vítima. Mas aos poucos, conforme as diferentes versões da história vão sendo contadas e o filme avança, a parte mais negra e doentia da sua personalidade vai aparecendo. E aquela garota doce é mostrada como uma pessoa obsessiva e perigosa. Bernardo inicialmente engana Rosa, escondendo que é casado e esperando uma fuga do cotidiano. Mas acaba preso nas mãos de um amor doentio e possessivo.

O fato foi inspirado em um caso real que teve destaque nos jornais da época. Ele ficou conhecido como “A Fera da Penha” e a autora do crime foi Neide Maria Maia Lopes. O filme foi muito bem dirigido e causa um impacto tão grande que ainda permanece na cabeça do espectador muito tempo depois de terminar, com um final digno de uma fábula de horror.Talvez porque além de conseguir prender a atenção ele também revele muito sobre a essência do ser humano.

 

Diretor do Mês | Crítica: Faustão, o Cangaceiro do Rei (1971) – Eduardo Coutinho

por Maurício Owada

Assim como foi o faroeste no cinema americano, os filmes samurais no cinema japonês, os filmes de cangaceiro (que diferentes do cowboy e do samurai, a sua figura permeava entre diversas camadas: assassino, homem livre, macho, “Robin Hood” etc) permearam no cinema brasileiro, povoando o imaginário e inspirando manifestações artísticas sobre eles e seus valores, mas jamais figuravam entre os mocinhos, mas o homem macho. O oeste americano era o lugar selvagem aonde a chegada da civilização era certa, mas aqui no Brasil, a civilização é tão brutal quanto a força da natureza sobre o povo nordestino… não somos o “povo escolhido” e parece que paira sobre o sertão, uma sina irreversível e cíclica, alimentada pelo sol ardido, o chão rachado, o rebanho em ossos, e em terra assim, só sobra espaço para a mão no facão contra os senhores ou as lamentações do povo esfomeado. Jamais o sertão foi cenário para filmes que terminam otimistas como os faroestes convencionais e não carregam a grandiosidade dos processos históricos que substituem a brutalidade pela ordem, a katana pelas armas de fogo. O Nordeste é um lugar esquecido, jamais visto pelas autoridades de forma plena… sempre abandonada, e assim se cria fenômenos sociais como cangaço, resultado da raiva e revolta pela tirania de senhores que possuem o aval da lei para mandar e desmandar.

Entre a brutalidade do homem e da natureza, Eduardo Coutinho encontra nos textos do dramaturgo William Shakespeare, o espaço para explorar sobre os rumos do Nordeste e do próprio cangaço, encontrando seu Billy, The Kid em Faustão, um líder de um bando que salva Henrique, um rapaz da família Teixeira que é atocaiado pela família rival Araújo. Com fim de ganhar um dinheiro, o cangaceiro pede um resgate em troca do rapaz que se torna seu refém, mas aos poucos, Henrique adentra em meio ao bando e se torna parte do bando e a guerra promovida pelos Teixeiras vai atingir tanto Faustão quanto Henrique, o que farão com que se unam e se tornem grandes amigos, companheiros de cangaço.

Inspirado pelo texto de Shakespeare, a peça Henrique IV, Coutinho prefere dar atenção para o personagem Falstaff, um arruaceiro boêmio que se torna amigo do rei e justifica o subtítulo e prefere dar o foco nesse personagem, enquanto o rei Henrique se torna o coadjuvante, o rapaz de família de coronéis que endurece e amadurece sob a clandestinidade, para assim ter a força para assumir as terras de seu pai e sua autoridade na região. Faustão é um personagem construído de forma incrível por Eliezer Gomes, ator de carisma e presença, trás um aura de fatalismo em sua jornada, um homem que aceitou seu destino e “não arreda o pé” do caminho que lhe foi designado ou, moldado pelo sertão seco e pela condição social que decidiu transgredir como uma forma de legitimar sua “macheza”, algo parecido com o modo que Don Vito Corleone age na sociedade: a legitimação de sua masculinidade no papel de opressor ou de transgressor, impondo a honra e o respeito de forma distorcida, para assim sobreviver. Se a lei do homem não beneficia o mais pobre, o negócio é bater de frente.

A narrativa vai se construindo até um clímax digno da dramaturgia shakesperiana, Eduardo Coutinho mostra dois personagens de origens e status sociais distintos numa terra árida e sangrenta, cujos caminhos os levam a um momento considerado inevitável, mas só mostra o homem determinado a seguir a trilha de um pensamento determinista, como se não houvesse outro jeito. A história se desfecha de forma dramática, direcionado por indivíduos com uma filosofia de que se deve pagar sangue por sangue, o cangaço caindo de forma retumbante pela perseguição destemida pelo governo Vargas, assim como os bandidos da Grande Depressão e assim fica: o bandido mortocomo exemplo, o governo temido e respeitado, mas o sertão… ainda permanece o mesmo, permeado por morte e miséria, no seu curso normal para que não incomode – um Nordeste brasileiro doente, mas que fique lá, deitado e quieto, em seu leito… em silêncio.

Notícia | Justin Bieber é assassinado em novo trailer de Zoolander 2

maxresdefaultpor Viviane Camões

Recentemente, foi divulgado um novo trailer de Zoolander 2, que é a continuação do longa estrelado por Ben Stiller em 2001. No trailer podemos ver Justin Bieber sendo perseguido e assassinado.
Nessa nova aventura Derek (Ben Stilles) e Hansel (Owen Willson) terão que se livrar de um poderoso vilão que quer tirar toda a concorrência do showbusiness.
O filme tem previsão de estreia no Brasil em 3 de março de 2016.

 

 

Notícia | Produtor revela como foi trabalhar com Jared Leto em Esquadrão Suicida

Foto: Divulgação.
Foto: Divulgação.

por Viviane Camões

Durante uma entrevista ao Collider, o produtor Charles Roven contou detalhes do longa Esquadrão Suicida e também sobre o ator Jared Leto:
“Olha, é diferente e divertido. O grupo não estava muito certo, pois todos tinham que chamá-lo de ‘Mr. J’ e ele chegava no set dando altas risadas. E, de muitas formas, ele se isolou do grupo, mas essa é a proposta do personagem, diferente de quando ele estava com a Harley ou tentando chegar até ela. Foi bem divertido, foi o combustível para muitas coisas legais. O isolamento dele está ligado ao Esquadrão, e o ator queria isso”, revelou Roven.
Charles também falou sobre os personagens e o como era clima nas filmagens: “Existem muitos personagems em Esquadrão Suicida, e acho que você vai se envolver com todos eles. Eles têm arcos diferentes, são individuais e também acho que todos são muito, muito, muito humanos de suas próprias formas disfuncionais. Acho que as histórias pessoais de cada um e como elas vão se relacionar surpreenderá a todos. E, preciso dizer, foi um dos sets mais divertidos de todos. Eu estou nessa área há algum tempo, e a camaradagem que foi construída no set, sabe, todos ficavam ansiosos para voltar no dia seguinte para o trabalho”, completou.

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