por Beatriz Bidinotti

Eduardo Coutinho apresenta neste documentário diversas histórias verídicas, contadas em forma de entrevista por aqueles que as viveram e por atrizes que representam as personagens reais. Um jogo de cena literal em que aquele que assiste é desafiado a descobrir o que é realidade e o que é encenado.

O espectador desatento só nota a presença da narrativa atuada quando a barreira da quarta parede é cortada, no momento em que uma das atrizes, ao contar  a história, olha diretamente à câmera e diz ‘’Foi isso que ela disse.’’. Com este marco surpresa, o restante do documentário se torna uma pergunta incessante: “É atuação ou não?’’. Esta questão mostrada por Coutinho nos faz refletir quanto a atuação não só como trabalho profissional, mas quanto mentiras do dia-a-dia e no comportamento humano em frente às câmeras.

É interessante ressaltar a emoção que o filme consegue transmitir. A simplicidade de mulheres contando importantes acontecimentos de suas vidas também é tida pelas atrizes que contam as mesmas histórias. As imagens intercaladas ressaltam o título do documentário e o ponto de vista de quem viveu e de quem conta. Coutinho abre espaço para que as atrizes convidadas comentassem sua experiência e sentimentos ao vivenciar as personagens, que sofrem com situações trágicas que não aconteceu a elas; retratando assim como as pessoas podem se colocar no lugar de outras, com problemas tão reais que parecem fictícios.

No fim, uma das mulheres retorna e canta uma música que marcou sua vida para completar seu enredo. Esse retorno é possivelmente a inspiração para Coutinho criar As canções, seu documentário seguinte a Jogo de Cena.

Assim como em seus outros filmes, Coutinho sabe expor a vida de forma artística e sincera. Se a vida imita a ficção ou se a ficção imita a vida, não há como saber. Mas a mistura equilibrada de ambos em um vislumbre da vida real de mulheres guerreiras é a essência deste documentário intimidador e tocante.

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