por Liana Nespoli

“A realidade da vida é sempre o funeral das ilusões”

Edifício Master é uma proposta despretensiosa de que cada subjetividade esconde algo de fantástico, seja um hábito, um ofício ou um modo de ver o mundo. O filme parte de uma premissa aparantemente simples, resume-se em uma sucessão de pequenas entrevistas com vários moradores de um edifício que mostra um lado de Copacabana pouco mostrado no cinema: o anonimato. Ele constrói um mosaico que expõe a singularidade de cada pessoa como uma fonte inesgotável de saberes e conhecimentos interessantes. Apesar de estar localizado em bairro elitizado, é habitado por pessoas de classe média-baixa e baixa. Podemos perceber também a importância histórica, social e cultural daquele prédio bem como as histórias folclóricas que a cercam, reforçando seu misticismo.

Coutinho descortina as histórias de vidas incríveis e que emocionam. Tamanha é a sinceridade dos entrevistados diante da câmera – solidão, amor, angustia, vidas inteiras separadas pelas paredes de um edifício. O filme por si só instiga a acompanhar estas pessoas e suas histórias. Acompanha e retrata as vidas alheias ou degradação daquele conjunto de apartamentos e seus moradores ou até mesmo pelo passado do lugar.

Mas Edifício Máster é muito mais que apenas as histórias de seus moradores. É um estudo sociológico da evolução não só daquele Edifício, mas da cidade do Rio de Janeiro como um todo, pois cada indivíduo nos faz questionar qual a lógica da vida e de estarmos aqui, assim como também como nós agimos perante determinados obstáculos e pedras que nos deparamos no meio do caminho durante nossa vida.

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