por Liana Nespoli

O Homem Que Comprou o Mundo, apesar de não ser nenhum dos filmes mais conhecidos nem premiados de Coutinho, é um filme que merece toda a sua atenção. Além de ser o seu primeiro (e também um dos únicos) filmes fictícios, é uma crítica politica com grandes influencias de Glauber Rocha, podendo ser considerado até uma “profissionalização” do cinema marginal.

É importantíssimo perceber, que apesar do tom cômico do filme, ele aborda a situação do mundo na época. Foi lançado no ano do AI-5 e aborda temas como a Guerra Fria, o Imperialismo e a Ditadura Militar, em cuja época o filme foi lançado, Coutinho tem coragem de satirizar os militares como abobados. Destaque para a cena do futebol que é tão ousada em sua postura crítica. Ele satiriza também as criações sem sal e clichês dos filmes de espionagem e da criação de personalidades e celebridades também.

Assim como Terra em Transe, Coutinho em O homem Que Comprou o Mundo, por se tratar de uma crítica ao país (mesmo que ainda satirizada), e se encontrar em época de regime militar e já abordar diversos contextos críticos (como chamar o Brasil de país reserva, por exemplo) passa a utilizar de alegorias para abranger outros temas, para atingir indiretamente a ferida.

Conta com um elenco de peso, como a talentosa Marilia Pêra, Raul Cortez e Flávio Migliaccio e com músicas do Francis Hime, interpretadas por ninguém menos que Maria Bethânia na trilha sonora. Em O Homem Que Comprou o Mundo, Eduardo Coutinho nos surpreende, provando que sabe dirigir histórias de ficção tão bem quanto seus documentários.

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