por Liana Nespoli

Straight significa “comum”, mainstream, sisudo, e assim fica mais fácil de vermos como o título já deixa bem clara a história. The Straight Story ou Uma História Real é um filme um tanto quanto simples quando falamos de Lynch. Sem nenhum surrealismo, analogias, bizarrices, membros decepados ou anões dançarinos, o longa mostra uma estória de narrativa linear, em boa parte alegre e sem grandes surpresas.

De forma singela e cativante, “Uma História Real” se trata da trajetória de Alvin Straight, um homem de 73 anos que mora com a filha (que percebemos ter um certo problema psicológico, apesar do mesmo negar em uma cena) no meio-oeste americano. Após receber a notícia que seu irmão, o qual não mantém contato algum a dez anos tem um derrame, decide cruzar o país para visitá-lo e deixar suas diferenças e desentendimentos para trás. Alvin já não dirige, não enxerga direito por conta da catarata, possui dificuldades para se locomover por problemas nos quadris e também não gosta que dirijam para ele. A solução que encontra, é pegar na estrada com um cortador de grama com um atrelado sendo puxado pelo mesmo. No caminho ele se depara com diversas pessoas “normais” que em muitas vezes o ajudam e motivam no trajeto, assim como algumas delas possuem características claras de Lynch, como a mulher estérica que atropela um veado na estrada; era o décimo terceiro que ela havia matado na estrada, e ela ama animais. Não consegue entender de onde eles vêm de repente. Straight assa o veado e outros surgem, numa espécie de funeral.

O filme narra a história de modo sincero, espontâneo e despretensioso e é impossível não se apegar e se emocionar com o personagem. Um filme que prova que Lynch sabe também tocar nossos corações com uma historia literalmente real e com maestria e delicadeza num filme (vindo dele) “normal”.

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