por Kelly Soares

Filme gravado em preto e branco e lançado em 1977, aborda uma história bem original e inteiramente psicológica, dificilmente pode ser encaixado em um único gênero, portanto pode ser considerado um filme de terror, drama e surrealismo.

O  filme se inicia com o devaneio de Henry Spencer (Jack Nance) em transe olhando para o céu e em sua visão vê um ser asqueroso olhando pela janela. Esse ser maneja alavancas de seu barraco como se ele tivesse o poder sobre o pensamento do protagonista. Após isso, aparentemente, o que Henry está tendo é um pesadelo envolvendo algo que se parece com um espermatozóide gigante que sai da sua boca, flutuando pelo espaço. Esta não é a única referência ao esperma que vemos no filme pelo caminho até então, de qualquer maneira, este homem puxa uma alavanca e vem para fora o esperma da boca de Henry, voando pelo espaço como um pássaro ligado a um cordão umbilical humano. Logo depois, esse personagem sinistro representa algo que controla Henry, e o que é mais controlador do que os nossos desejos sexuais? Nisso, surge um buraco claro que dá início a história do filme.

O filme mostra que Henry está dentro do mundo de suas idéias, demonstrando seus medos e inseguranças. Todas as construções e cenários do filme possui uma estética industrial que fazem você sentir a confusão caótica e feia do mundo de Henry. Ao decorrer do longa, podemos perceber que o protagonista fica preso emocionalmente em sua namorada, Mary X, que o trata como se fosse um fardo, pois foi obrigada a se casar com ele após gerar uma criança deformada. O casal então começa a criar seu filho, vivendo não como um casal,  mas como estranhos sob o mesmo teto.

Henry se sente sufocado com o casamento forçado, mais não encontra uma saída. Enquanto isso, sua vizinha atraente representa o perigo e o medo de mergulhar no desconhecido, já o filho de Henry representa a estética da sociedade, como se ele fosse condenado por ser o fruto de uma relação doente. O maior conflito da obra é quando Henry sonha com a moça bochechuda e pequena sobre um palco, cantando uma música que tinha a seguinte frase: “No paraíso é tudo perfeito”. Então a cabeça de Henry cai e um mendigo o leva até uma indústria, onde seu cérebro é uma borracha para lápis – agora Henry poderia apagar o seu passado e recomeçar.

Depois, Henry, em delírio, sacrifica o bebê monstruoso que começa um choro medonho e escandaloso, luzes piscam sem parar e explodem. Volta a se ver o monstruoso homem que manejou alavancas e no final, encontra-se a moça bochechuda da canção, a quem abraça. No fim, Lynch demonstra como a mentalidade industrial condicionou todos a zelarem pela normalidade e como o personagem evidencia o estado psicológico de toda a atmosfera do filme.

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