por Maurício Owada

Após um filme policial e dois dramas, Paul Thomas Anderson explora o campo da comédia romântica. Talvez um dos gêneros que acarretam, em sua maioria, obras vazias e piegas, com diálogos saídos de uma telemensagem de amor. Mas Paul Thomas Anderson trás uma infinitude de acontecimentos nonsenses que cercam a vida de Barry, vivido com sensibilidade por Adam Sandler, que curiosamente trás estampado em sua persona a imagem de uma comédia de riso fácil e piadas grosseiras. Quem espera um humor simples, pode se decepcionar, já que o cineasta utiliza de elementos estranhos, tendo aqui o primeiro passo pra uma linguagem própria, fugindo do excesso de travellings para uma câmera mais refinada.

Barry Egan é um homem solitário e tímido, que após presenciar um acidente de carro e ver um órgão ser deixado na frente de seu escritório, acaba conhecendo Lena (Emily Watson), por quem acaba se apaixonando. Vítima de sua solidão, apela para uma ligação sexual, que acarreta em seus dados roubados e extorsão. E ainda convive com a constante presença perturbadora das sete irmãs.

O roteiro constrói os acontecimentos de forma inusitada, aonde Barry acaba surtando, pontualizada em uma trilha sonora experimental, estranha e de notas pontuais, sem um ritmo que se intensifica com mais elementos sonoros, que logo depois se tornaria comum em seus filmes posteriores: Sangue Negro e O Mestre. A câmera aqui se mostra menos movimentada, preferindo escolher pontos de vistas do que fazer a câmera rodear todo o cenário, como nas obras anteriores.

Se mesmo com atores de calibre como Philip Seymour Hoffman, em uma participação, o ator e comediante Adam Sandler consegue se sobressair, só denota uma escalação de elenco sempre incrível dos filmes do Paul Thomas Anderson, assim como a excelente direção de arte que sabe utilizar o ator para um viés dramático, sintonizando junto com o timing cómico dele para construir as cenas insólitas que misturam humor com horror, como quando é sequestrado e roubado.

Embriagado de Amor é o filme menos visado de Paul Thomas Anderson, que dá seus passos próprios em sua própria estética, trabalhando com o som e a imagem de forma experimental, abraçando um roteiro de situações estranhas e um romance igualmente estranho, mas marcado por uma ternura e uma paixão intensa que aceita as características do outro de braços abertos, não havendo medo para Barry se envolver e esquecer como seus antigos problemas o afetam.

Anúncios