por Maurício Owada

Glamour, riqueza, fama e reconhecimento. Não são coisas apenas enaltecidas apenas pelo American Way of Life, mas por todo um mundo que busca uma condição melhor baseado num status, seja ela psicológica (afim de compensar o ego) ou socio-econômica (num sistema capitalista, o dinheiro é a chave de acesso para as quatro coisas citadas acima, além de prover a sobrevivência fisiológica do indivíduo). Dirk Diggler (Mark Wahlberg) é um daqueles que tinha algo em especial, num mundo que não o aceitava pelo que ansiava, ele acha na indústria pornô, o palco para se destacar em imagem e nome (mesmo que ela seja construída numa máscara teatral feita para vender).

No ritmo da discoteca que embalava a liberdade sexual dos jovens nos anos 70, Dirk Diggler e um diretor de filmes eróticos (Burt Reynolds) se sustentam no entretenimento adulto para formar uma carreira e ambos irão emergir em excessos de sexo e drogas, levando a caminhos incontornáveis. Paul Thomas Anderson constrói toda a narrativa na construção do glamour para ruí-la na decadência.

O roteiro trabalha numa estrutura que lembra Os Bons Companheiros, mesmo a técnica de filmagem que utiliza muito do steadycam para os travellings constantes em cenas de festas, culminando no belíssimo plano-sequência de abertura. A divisão em capítulos esbanja da liberdade de cenas que ditam um ritmo e o clima, como o recorte de sucessos entre boquetes encenados, resenhas de filme pornõ positivas, premiações e a comemoração na pista colorida e iluminada da discoteca, que destacam o inventivo trabalho da montagem.

Renegados pela família e outras instituições, os artistas do ramo encontram entre eles o conforto e recepção que o mundo lá fora nega a dar. Julianne Moore vive uma belíssima atriz da indústria que sofre com a distância do filho, ao mesmo tempo que não pode conciliar o ofício de mãe com a de atriz e sua atuação é tocante, enquanto Burt Reynolds vive um diretor que se encontra num paradoxo de querer fazer algo artístico em um ramo de entretenimento fácil, tornando a transição da película para VHS em algo brilhante, remetendo a história do cinema do público geral – do mudo para o som, da película para o digital (a transição atual). Contando com um elenco gigante e excelente, PTA se firma como um ótimo diretor de atores, assim como sabe trabalhar com cada tempo que o ator dispõe na estória.

Boogie Nights trás um paralelo do cinema pornô e o cinema convencional, desmistificando aspectos ao olhar para os bastidores e para cada indivíduo de forma íntima. A grande obra de Paul Thomas Anderson trás o talento de um diretor promissor, seguro de sua capacidade e que ousa em adentrar num mundo rodeado de excessos, uma válvula de escape para as frustrações tão comuns no cinema adorado pelo público padrão, o estrelismo e outras questões permeiam os conflitos e trás um mosaico de uma indústria e o seu final, que remete a outro clássico – Touro Indomável – permeia a natureza daqueles personagens de forma brilhante e impactante, com um pênis grande e veiudo de forma explícita.

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